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Idoso é para ser ouvido




Uma das formas de infantilização mais crueis a que se pode submeter um idoso é privá-lo de decisões sobre sua forma de viver, horário de dormir, venda de bens, local onde vai morar, o que vai vestir, etc. Muito embora, nem sempre estas atitudes mascarem algum interesse perverso da pessoa que se investe do direito de decidir pelo idoso, o ato de impedi-lo de gerenciar sua própria vida é uma forma de violência gravíssima que abala a sua autoestima e o coloca em uma humilhante situação de submissão, e de nulidade.

O abalo emocional advindo deste tipo de intromissão, pode e realmente provoca, inúmeras alterações metabólicas, desencadeia um perigoso estado depressivo além de outros graves transtornos na sua saúde física e emocional, incluindo um aumento de propensão para doenças senis como o Alzheimer e outras.

Além disso, há um desconforto evidente no seu dia a dia, já que não está vivendo de acordo com seus desejos e suas necessidades.

A autonomia do idoso só deve ser monitorada em caso de incapacidade na área em que ela se manifesta.

Por exemplo, um idoso com dificuldade de locomoção, deve ser auxiliado apenas nesta área. Não se deve olhá-lo como se não tivesse capacidade de raciocínio e tratá-lo como sendo incapaz de elaborar pensamentos lógicos e ter discernimento para opinar sobre assuntos relevantes.

Idosos com mais de 80, 85, anos, ocupam cargos seríssimos e de grande responsabilidade, além de muitos serem cientistas respeitados em todas as áreas.

Não queiram impor normas e regras ao seu idoso querido, ele precisa ser ouvido e atendido. Converse mais com ele. Certamente você vai aprender muito.

Eloah Mestieri

Psicanalista Clínica

Especializada no adulto 60+.

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