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  • Eloah

Envelhecimento desigual


A sociedade brasileira está mesmo envelhecendo?

Limites de idade fixos, que não levam em consideração as mudanças na expectativa de vida e na diversidade de condições de mulheres e homens, levam a uma visão distorcida do envelhecimento demográfico da nossa população. Isso pode ter sérias consequências em vários aspectos, mas predominantemente na vida das pessoas que já passaram dos 60 anos e nas políticas públicas. O descompasso com a realidade se torna especialmente absurdo quando trata de sociedades em envelhecimento acelerado, como a nossa.

Quando não se avalia o aumento de 33 anos na expectativa de vida do brasileiro nas últimas décadas, e se mantém fixa a idade de 60 anos, como um marco para a entrada na idosidade, (outros países variam entre 65 e 75 anos) limita-se não só sua participação no mercado de trabalho, como sua contribuição intelectual nesta fase que é extremamente profícua, criativa e eficiente.

Muitas mulheres e homens de 70 anos assumem um modo de vida e de comportamento que as gerações anteriores com 50 anos de idade já teriam deixado para trás.

Os idosos de hoje não apenas vivem mais, como também permanecem saudáveis, ativos e inovadores por mais tempo. Isso também é refletido na sua autoimagem, e na sua disposição para viver, amar, começar um novo negócio, entrar em uma faculdade, viajar, etc.

Fica então a pergunta:

A nossa sociedade está mesmo envelhecendo tanto quanto está sendo considerado, ou a baliza que colocamos como 60 anos é que está desatualizada?

Se em 1945, a média de vida era de 43 anos, e agora está em torno de 76, não se pode considerar uma pessoa de 60 anos, dentro dos mesmos parâmetros.

Se atualizássemos esta fronteira com base na expectativa de vida e na saúde biológica das pessoas desta faixa etária, provavelmente não estaríamos nos sentindo tão ameaçados com o envelhecimento da nossa população.

O problema, é a singularidade com que nosso povo chega à velhice, devido, entre outras coisas, à precariedade das políticas públicas. Quem depende da saúde gratuita, e não tem recursos para se cuidar adequadamente, pode se tornar um idoso aos 40 enquanto o outro com mais possibilidades estará pleno de vitalidade e atividade aos 80, 90 anos.

Então, o problema do nosso acelerado envelhecimento populacional, está mais preocupante porque há um desleixo para com a população menos favorecida, que tem um envelhecimento prematuro impedindo-o de alcançar novos horizontes e manter sua autonomia e produtividade de acordo com sua idade cronológica.

Sempre o mesmo problema: Desrespeito ao povo pelas autoridades.

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