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  • Eloah

18-

Atualizado: Jan 10


A infantilização dos superidosos apressa o seu declínio e a sua morte.

O idoso, não é "bonitinho" "uma gracinha", e outras tantas frases humilhantes. Pare com isso!! É uma VIOLÊNCIA IMPERDOÁVEL, QUE PROVOCA DANOS FÍSICOS, MORAIS E DEPRESSÃO.

Quantas vezes você já se deparou com alguém tratando um idoso como se fosse uma criança grande? Talvez esta pessoa ainda não se tenha dado conta de que este pernicioso costume está destruindo literalmente a auto estima, o amor próprio, a autoconfiança e até a saúde física e mental daquele que escuta.

O superidoso, é uma pessoa que carrega consigo uma experiência de vida muito superior à nossa e traz consigo uma bagagem que ainda não temos e nem sabemos se teremos a oportunidade de adquirir.

Na maioria dos casos, com exceção apenas daqueles com problemas neurológicos, os outros, estão muito capacitados para opinar, perceber, entender, aconselhar e resolver situações, nas mais variadas áreas do que os mais novos.

É importante dizer que infantilizar, não é a mesma coisa que tratar com carinho.

Infantilizar significa tornar-se infantil, retroceder intelectualmente e retornar à imaturidade. Traz alusões errôneas em torno do idoso.

É importante pontuar que referir-se aos objetos pessoais do idoso no diminutivo é menospreza-lo como ser humano. Um tipo de discriminação e preconceito tão sério quanto o racial e o de gênero, ou qualquer outro.

Esta maneira de se referir aos idosos com tratamento no diminutivo a tudo que lhe diz respeito funciona como verdadeiras flechas em direção oposta à sua autoestima. Ainda que muitas vezes quem os ouve procure camuflar com um sorriso seu desconforto interior advindo deste tratamento inadequado, pode-se perceber nos seus olhos, a expressão de uma angústia e desalento, que irão deixando suas marcas negativas ao longo do tempo.

Mesmo que praticado muitas vezes “com as melhores das intenções” esta maneira injustificada e insipiente de se reportar ao idoso, é, para ele, a comprovação de que não estão mais considerando suas condições intelectuais e sua capacidade de raciocínio, tão plausíveis como as dos outros adultos mais jovens. Que seu discernimento está sob suspeição. Que suas opiniões, estão sendo colocadas no mesmo patamar de pessoas na primeira infância. Sem um peso real, sem efeito, sem importância.

O idoso não é uma criança velha. O idoso é alguém que passou pelas etapas de desenvolvimento da vida, lutou, sofreu, amou, suportou situações múltiplas, teve que aprender a lidar e superar fortes emoções, desafios, erros e acertos e que continua a caminhar como qualquer outra pessoa, enfrentando tudo isso dentro da sua realidade e dificuldades atuais. Merece respeito e não ser submetido à violência de pessoas arrogantes e pretenciosas que passam a diminui-lo com este tratamento inapropriado.

É necessário permitir que haja um estreitamento dos laços, que suas histórias de vida e experiência possam ser valorizadas, que se possa favorecer a inclusão da pessoa idosa promovendo sentido para sua própria existência; reconhecer suas capacidades de trabalho, criatividade, potencialidades.

Ao infantilizar a pessoa idosa, criam-se alusões e falsos parâmetros acerca do processo de envelhecimento que podem determinar a forma como essas pessoas são e serão tratadas.

Podemos imaginar o que a percepção de si mesmo, dentro desses critérios que evidenciam um menosprezo da sua própria capacidade intelectual pode impactar negativamente?

Chamar o pai ou a mãe de paizinho ou mãezinha, é um ato de carinho e é muito diferente, de começarmos a nos referir a seus pertences, suas atividades e suas partes do corpo no diminutivo.

Você gostaria de ser tratado assim, como uma pessoa abobada, com toda a experiência que viveu, ao chegar na última etapa da sua vida?

Eloah Mestieri

Psicanalista Clínica especializada no bem-estar do idoso e do superidoso.

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